quinta-feira, 9 de julho de 2009

César e o amor amarrotado



No final de 48 a.C., Cleópatra VII Filopator, então com 21 anos, disputava o trono do Egipto com o seu irmão e marido Ptolomeu XIV: o velho Egipto estava à beira da guerra civil. Caio Júlio César, então com 52 anos, chegava a Alexandria, depois de ter conseguido que Pompeio fosse assassinado. César cobiçava o Egipto desde 65 a.C., altura em que foi edil e agora mais do que nunca a situação parecia-lhe propícia.

Ptolomeu XIV apressou-se a enviar emissários a César para lhe oferecerem o seu servilismo, mas o general-chefe de Ptolomeu XIV decidiu enfrentar César com mais de 20.000 soldados egípcios: Alexandria era uma cidade em estado de sítio.

Cleópatra tinha assim um obstáculo a ultrapassar para se encontrar com César, com o objectivo de lhe propôr uma aliança diferente da proposta por seu irmão-marido. Seria Apolodoro, um musculado professor de Cleópatra e seu apaixonado, que resolveria o problema: andrajosamente vestido, conduziu Cleópatra até ao porto de Alexandria, onde desembarcaram. Subsistia o problema de passar pelos jardins e terraços do palácio, até chegar a César. Mas Apolodoro trazia consigo um pedaço de pano grosseiro que os carregadores usavam para embalar os volumes: embrulhou Cleópatra e levou-a às costas, conseguindo finalmente desembrulhá-la em frente de César que esperava ver, não uma mulher esguedelhada e de vestido amarrotado, mas um molho de tapetes orientais. Imagina-se facilmente o espanto de César, mas parece que a beleza da jovem o impressionou; não porque estivesse tão bem arranjada como na pintura acima (Jean-Léon Gérôme, 1866).

E aqui a história bifurca-se: uns dizem que a união de César com Cleópatra foi resultado de estratégia política, outros dizem que César e Cleópatra se amaram apaixonadamente. Só César podia salvar Cleópatra e esta podia também satisfazer as ambições daquele. Uma coisa é certa: se aconteceu é porque não podia deixar de ter acontecido. Dizer mais do que isto pode já não ser história.
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