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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Banhos judaicos medievais descobertos em Coimbra

Imagem Público

«Técnicos da autarquia descobriram por acaso na cave de um prédio o que parece ser uma pequena piscina medieval para uso ritual de mulheres judias.

Uma rotura de canos num prédio de Coimbra levou à descoberta do que se julga ser uma estrutura medieval destinada a banhos rituais femininos judaicos. Esta espécie de pequena piscina para fins religiosos apareceu na cave de um edifício da Rua do Visconde da Luz, na área da antiga judiaria da cidade, e está surpreendentemente bem preservada.

O arqueólogo Jorge Alarcão diz que, neste estado de conservação, “pode ser caso único em Portugal”. E o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, embora ressalve que “o estudo do achado ainda está a decorrer”, admite que se trate da “descoberta arqueológica mais importante que se fez em Coimbra ao longo dos últimos 70 anos”.

Ou seja, depois da descoberta do criptopórtico romano, agora devidamente recuperado e visitável no recentemente reaberto Museu Nacional Machado de Castro, o achado destes banhos judaicos promete oferecer mais uma peça importante ao património de Coimbra. Mas ainda há muito a fazer. Neste momento, explica Manuel Machado, “está-se ainda a identificar os proprietários e os direitos envolvidos, uma vez que não havia qualquer registo daquela existência”. O autarca explica que o que agora se descobriu “está na cave de um prédio particular, ao lado da Ourivesaria Marialva”, mas alerta para a possibilidade de a investigação poder vir a revelar que este tanque integra um conjunto mais vasto, cuja área abranja também o subsolo de outros edifícios da zona.

O que para já se trouxe à luz parece ter boas possibilidades de ser um dos mais antigos banhos rituais judaicos (mikvá) descobertos na Europa, já que tudo indica que não seja posterior ao século XIV. E se efectivamente se destinava a banhos rituais femininos, é ainda mais raro.

A comunidade judaica está documentada em Coimbra desde tempos anteriores à nacionalidade, e sabe-se que a Rua de Visconde da Luz, outrora chamada do Coruche, era um dos limites da chamada judiaria velha, que terá sido desactivada no reinado de D. Fernando I, por volta de 1370. Daí que Jorge Alarcão acredite que estes banhos “já funcionavam certamente antes do tempo de D. Fernando”.

Avaria providencial

Se há males que vêm por bem, pode dizer-se que foi o caso com o rebentamento dos canos de esgoto de um prédio da Rua do Visconde da Luz, mais precisamente o n.º 21. Quando os técnicos municipais da Divisão de Promoção e Reabilitação da Habitação foram tentar resolver o problema, viram-se na necessidade de aceder a um espaço fechado nas traseiras do edifício. A divisão não seria usada há muito e foi preciso arrombar uma porta de metal. Verificou-se, então, que se tratava da entrada para uma cave, à qual se acedia por um lance de escadas em pedra. Nesta cave, uma nova abertura conduzia ainda mais abaixo, ao que parecia ser uma fonte de chafurdo ou mergulho (fontes das quais tradicionalmente se tirava água submergindo as próprias vasilhas).

Alertado o Gabinete para o Centro Histórico, foram feitas duas visitas ao local nos dias 18 e 19 de Novembro, que envolveram técnicos de várias especialidades, incluindo a arqueóloga Raquel Santos, a historiadora de arte Luísa Silva e o técnico de conservação e restauro Manuel Matias.

O que encontraram foi uma gruta natural de calcário, aparentemente utilizada para vários fins ao longo dos tempos. E quando desceram os degraus e viram a pequena piscina, começaram por admitir que pudesse efectivamente tratar-se de uma fonte de chafurdo. Mas à medida que investigavam mais minuciosamente o local, foi-se tornando evidente que aquele era um espaço que fora cuidadosamente concebido.

Por cima da cabeceira do tanque, descobriram-se mesmo vestígios muito razoavelmente conservados de um antigo fresco com motivos florais. Os técnicos estão convencidos de que esta pintura datará provavelmente dos séculos XVI ou XVII e corresponderá à última fase de utilização ritual deste tanque.

Dado que a estrutura se encontra na área da judiaria velha, e parece corresponder perfeitamente às descrições dos banhos de purificação judaicos da época, a convicção actual é de que se trata mesmo de uma mikvá (também grafado mikvah ou mikveh). Os frescos, e a própria dimensão reduzida do tanque, apontam para que fosse usado por mulheres.

A descoberta já foi comunicada à Direcção Regional de Cultura do Centro e, neste momento, segundo Manuel Machado, a prioridade é identificar todos os eventuais proprietários envolvidos, estudar o achado, garantir a sua preservação e verificar se não faz parte de um sistema mais amplo.

A fraude holandesa

E os próximos tempos servirão também para se confirmar de modo mais inequívoco que se trata mesmo de banhos rituais judaicos. Há precedentes de descobertas semelhantes cuja autenticidade veio a ser contestada. É o caso da mikvá da cidade holandesa de Venlo, descoberta em 2004, datada do século XIII e publicitada como a mais antiga do país.

O município gastou cerca de dois milhões de euros em obras de restauro e na construção de uma nova ala no museu municipal, onde os supostos banhos medievais judaicos iriam ser admirados. Mas afinal parece que a cave em causa nunca fora utilizada para quaisquer rituais judaicos e que o arqueólogo municipal fora instruído pelos seus superiores para defender a tese de que se tratava de uma mikvá e silenciar quaisquer hipóteses alternativas.

O que é significativo neste recente caso holandês é verificar-se que a descoberta de uma mikvá medieval é considerada suficientemente relevante para levar poderes públicos a tentar confirmá-la por meios fraudulentos. Com o turismo cultural judaico em franco crescimento, este é um tipo de achado que pode tornar-se altamente rentável. E a suposta mikvá de Venlo tinha ainda a adicional importância simbólica de atestar a existência de uma comunidade judaica fortemente estruturada muito antes da chegada ao país dos judeus fugidos de Espanha e Portugal.

Aquela que é reconhecidamente a mais antiga mikvá conhecida na Europa é a de Siracusa, na Sicília, que datará provavelmente do século VII. Bastante mais antigos são os banhos rituais judaicos descobertos em 2009 em Jerusalém, uma estrutura de grandes dimensões que se crê ser anterior à destruição do segundo Templo, em 70 d.C..

Nos meios do judaísmo ortodoxo a mikvá, que tem de ser alimentada por uma fonte natural de água, desempenha ainda hoje um papel importante. As mulheres usam as que lhes são destinadas para recuperar a “pureza ritual”, designadamente após o ciclo menstrual ou depois de um parto. Os regulamentos obrigam a que todo o corpo entre em contacto com a água e as mikvá actuais têm geralmente uma funcionária encarregada de ajudar as mulheres a cumprir correctamente este e outros preceitos.»

Fonte: jornal Públicoaqui.
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Às portas de Jerusalém

Jerusalém, Porta de Damasco

"[...] há uma confusão à volta do termo utilizado pelas civilizações ocidentais, que vem do grego. Em grego, Bíblia é um plural - "os livros". Mas como a terminação "a" é geralmente feminina e singular em latim e nas línguas que dele derivam, passou a pensar-se que aquilo era um livro, e de facto nas versões modernas é apresentado num volume. Só que nunca pretendeu ser um livro, mas um volume que tem dezenas de livros. Diferentes! Portanto, é uma biblioteca no sentido estrito. A Bíblia é uma biblioteca pequena, mas que dá muito que falar."

Da entrevista a Francolino Gonçalves, no Público.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

A altura de Golias

David e Golias em combate
The Metropolitan Museum of Art

Antes da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947, a interpretação do Antigo Testamento estava praticamente limitada ao Texto Massorético, ao Pentateuco Samaritano (ou Torah dos Samaritanos) e à Septuaginta (a versão grega do texto bíblico). Os textos da comunidade essénia de Qumran, encontrados por alguns pastores a Sul de Qumran, viriam permitir o estudo da Bíblia com base em textos anteriores ao período medieval, para além de demonstrarem a superior antiguidade de alguns Livros Bíblicos.

A descoberta dos textos que viriam a ser conhecidos por Manuscritos do Mar Morto parece ter ocorrido quando dois pastores vigiavam os seus rebanhos perto de En Feshka, corria o ano de 1947. Numa das versões desta história, Jum‘a Muhammed Khalil lançou uma pedra para um buraco e ouviu o barulho de um objecto de barro a ser quebrado. Desconcertados, os pastores terão combinado regressar alguns dias depois ao local do acontecimento. Porém, Muhammed Ahmed el-Hamed, o irmão mais novo (que tinha por alcunha “o lobo”), julgando que haviam encontrado ouro, dirigiu-se no dia seguinte para o local e entrou numa das cavernas: descobriu então dez vasos de barro, oito dos quais continham manuscritos. Levando três deles, um dos quais era o Grande Manuscrito de Isaías, mostrou-os aos seus irmãos mais velhos (noutra versão desta história, aos seus primos), que os haveriam de mostrar a antiquários de Belém. Dando-os a conhecer ao mundo, a partir daí a popularidade dos Manuscritos do Mar Morto não mais pararia de crescer.

As razões desta popularidade são muitas, incluindo uma teoria da conspiração inventada por John Allegro por volta de 1950. Segundo este, o Vaticano e a Igreja Católica estariam a filtrar os manuscritos de forma a esconder aqueles que afectassem os dogmas católicos. E ainda nos anos 90 a publicação dos manuscritos dava que falar, visto que só em 1991 foram finalmente publicados os manuscritos da caverna identificada com o número 4, após uma verdadeira batalha pelo livre acesso aos Manuscritos.

Não há um único manuscrito encontrado em Khirbet Qumran que esteja completo, sendo o mais completo precisamente o Grande Manuscrito de Isaías, que contém os 66 capítulos do Livro de Isaías e que apenas tem pequenas secções mutiladas. Os textos são de vários períodos, indo de 250 a.C. ao ano 70 d.C., chegando portanto ao período de Herodes, o Grande. Contudo, segundo Roland de Vaux, o sítio arqueológico de Khirbet Qumran foi ocupado desde o séc. VIII a.C. até  c. 135 d.C., ainda que com interrupções.

Os cerca de 900 manuscritos descobertos em Qumran podem ser divididos em dois grandes grupos: os escritos sectários, que mostram os pontos de vista da seita dos Essénios, os mais prováveis habitantes de Qumran, e os outros textos, cuja maior parte pertence a Livros do Antigo Testamento. Para além de iluminar o modo como o texto bíblico foi transmitido, os Manuscritos do Mar Morto mostram-nos como era o Antigo Testamento antes da sua forma actual.

Veja-se a título de exemplo a história bíblica de David e Golias. Contada no capítulo 17 do Primeiro Livro de Samuel, aparece também recontada nos Manuscritos do Mar Morto. Ao passo que a Bíblia tal qual hoje a conhecemos conta que Golias, o filisteu, tinha uma estatura de seis côvados de altura (mais de 3 metros), um dos manuscritos encontrados em Qumran diz-nos que Golias, o aterrorizador de Saul e das suas tropas, afinal media apenas 2 metros. Os Manuscritos do Mar Morto vieram assim demonstrar que o pequeno e inspirado David teve a vida mais facilitada do que se pensava ao fazer tombar Golias com o rosto por terra. Ainda que, mais metro menos metro, tivesse sido a pontaria a fazer a diferença.

Cf. LIM, Timothy, The Dead Sea Scrolls, A Very Short Introduction, Oxford: University Press, 2005.
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sábado, 9 de janeiro de 2010

Scribendum est



No Antigo Egipto, desde cedo que as escolas eram controladas por sacerdotes com o propósito de guardarem ciosamente as “palavras divinas”, ainda que o escriba pudesse aprender a arte da escrita com o seu pai. Envergando o saiote branco (visível, por exemplo, na famosa estatueta egípcia), o escriba guardava os manuscritos numa espécie de scriptorium, um espaço reservado e designado Casa da Vida. Ou seja, para os Egípcios, a casa da vida guardava textos, literatura.


Já no período sumério, os jovens frequentavam a edubba ou “casa das tabuinhas”, aludindo ao suporte então usado para a escrita, as tabuinhas de argila. Após a iniciação nos signos cuneiformes, o curriculum incluia a cópia de listas de palavras e a escrita de memória, fazendo que um aluno fosse qualificado de especialista após ter copiado, regra geral, mais de 30.000 linhas de texto, permitindo-lhe percorrer boa parte da literatura de então.


Essa experiência de aprendizagem podia facilitar o escriba a ser poeta e a conseguir uma distinta profissão na administração do reino; por exemplo, o escriba babilónico Ezra foi o responsável no reino pelos assuntos judaicos. E no entanto a arte de ser escriba e o consequente acesso aos altos cargos da administração do país podiam ser perpetuados dentro de uma mesma família. É conhecido um caso assírio em que o mais alto cargo da Chancelaria Real  foi mantido por cinco gerações numa mesma família de sábios. Sabiam muito, está bom de ver.


O facto é que, em geral, havia baixos níveis de literacia no Oriente Antigo, não sendo o Egipto caso diferente. Para ter uma percepção deste fenómeno social, pode olhar-se para Alalakh, na Síria, por volta de 1700 a.C.: numa cidade de cerca de 7.000 habitantes havia sete escribas, ou seja, um por mil. E no entanto, no tempo de Moisés, eram usadas oito línguas diferentes e cinco sistemas de escrita distintos, o que pode parecer um paradoxo.


Esta iliteracia geral trouxe a concentração do poder na classe letrada. O caso de Moisés é paradigmático. Foi ensinado na corte egípcia e considerado “poderoso em palavras e em obras”, como conta a Bíblia: “Moisés foi iniciado em toda a ciência dos Egípcios, e era poderoso em palavras e em obras.” (Actos 7:22). Essas aptidões permitiram-lhe registar os mandamentos divinos e as decisões legais (e também um canto), tendo ainda designado escribas oficiais entre o seu povo com o propósito de assentarem decisões e ordens. “Escolhi, pois, os principais das vossas tribos, homens sábios e experimentados, e nomeei-os vossos chefes, quer como comandantes de milhares, de centenas, de cinquentenas e de dezenas, quer como escribas das vossas tribos” (Deut. 1:15). 


Entre Moisés – pintado na figura por João Zeferino da Costa em 1868 a receber as Tábuas da Lei – e  David, não se sabe quem guardou os mandamentos divinos registados pelo primeiro, mas, do reinado de David até Josias (sécs. X-VII a.C), a Arca que continha a lei suprema para os Hebreus (a Torah) foi precisamente confiada, entre outros, a escribas do reino.


Cf. ACKROYD, P. R., EVANS, C. F., Cambridge History of the Bible, From the Beginnings to Jerome, Cambridge: Cambridge University Press, 1993.
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domingo, 2 de agosto de 2009

Soberania no feminino


Os mais altos lugares de poder no Oriente Antigo não pertenceram apenas a homens. No seio da família real judaica um dos mais altos cargos políticos era detido pela Rainha Mãe, chamada gebirah pelos Hebreus. Entre os Sumérios a congénere desta figura judaica era a SAL.LUGAL GAL e entre os semitas de Ugarit a rabitu. Os Hititas também tinham uma tawananna, termo traduzível por Grande Senhora ou Grande Rainha.

Uma prova da importância desta figura nas cúpulas judaicas do poder vem no nome oficial do rei: o nome de sua mãe, juntamente com o patronímico ou o lugar de origem, acompanhava quase sempre o nome do monarca.

No império hitita, a tawananna, diferentemente do que se passava no domínio judaico, era a mulher do rei em exercício, mas não necessariamente a Rainha Mãe. Se a primeira função da tawananna parece decorrer no âmbito do culto, sabemos que tinha um papel activo tanto nas relações internacionais como na política interna do reino.

A tawananna mantinha o seu poder durante vários reinados consecutivos: a esposa favorita do sucessor do rei com quem a tawananna casara não podia assumir o papel de nova tawananna antes de a sua predecessora morrer ou ser oficialmente afastada. A mulher do rei hitita Supiluliuma I (1370-1342 a.C.), uma nativa da Babilónia, era mesmo chamada Tawananna. O herdeiro de Supiluliuma I, Arnuwanda, outorgou-lhe o título de “Grande Sacerdotisa de Arinna, Deusa do Sol”.

Já o sucessor de Arnuwanda, Mursili II (1340-1310 a.C), quis afastar Tawananna do poder. Para tal acusou-a de ter substituído os rituais hititas por costumes babilónicos e de se ter apropriado de fundos que pertenciam ao culto local. Foi ainda acusada de ter realizado um feitiço mortal sobre uma das esposas reais. Com isto, Mursili II conseguiria afastar Tawananna e de a substituir pela hurrita Danu-hepa, sua mãe (de Mursili). Também Danu-hepa teve um elevado número de funcionários e várias cidades fortificadas sob sua alçada. Manter-se-ia no poder durante três reinados consecutivos.

A extensão do poder deste tipo de figuras femininas – da gebirah, da SAL.LUGAL GAL, da rabitu e da tawananna – era determinada pela envolvência político-estratégica do seu casamento. Ficava logo estabelecido no contrato de casamento que ela teria um estatuto especial – leia-se superior – no interior da polígama casa real. Desde logo porque seria o seu filho a herdar o trono.

Demonstra isto que o poder feminino nem sempre foi exercido na penumbra da casa real. No Oriente Antigo era exercido de forma explícita e oficial. Se adicionarmos a este poder oficial a "magistratura de influência" que uma mãe ou uma esposa podem ter junto de um soberano, dificilmente se concluirá pela existência de um “sexo fraco” no Oriente Antigo. Aliás, basta lembrar Bathsheba - na imagem pintada por Willem Drost em1654 -, primeiramente esposa do guerreiro hitita Uriah que acabaria por casar com o rei israelita David e ser mãe do rei Salomão.

Cf. Spanier, Ktziah, “The northern israelite Queen Mother in the judaen court: Athalia and Abi”, in Meir Lubetski et al. (eds.), Boundaries of the Ancient Near Eastern World – A Tribute to Cyrus H. Gordon, Sheffield: Academic Press, 1998.

domingo, 5 de julho de 2009

O cenário da luta final


O local de Megiddo, vinte milhas a sudoeste da moderna cidade de Haifa, no Próximo Oriente, foi ocupado desde 8000 a.C. até ao séc. IV a.C., tendo grande importância no período 3000-734 a.C.
Em Megiddo, foi encontrado um fragmento em escrita cuneiforme do épico de Gilgamesh , a versão babilónica da narrativa bíblica do Dilúvio. Só por isso teria grande importância.
Parece que o rei Salomão de Israel, 970-931 a.C., reconstruíu as suas fustigadas muralhas, sinal das muitas batalhas que lá ocorreram. Por exemplo, Tutmés III, faraó egípcio do séc. XV a.C., conquistou Meggido juntamente com outras cidades-estado canaanitas. De facto, o local foi de tal modo assolado pela guerra que o autor do Livro do Apocalipse, o último livro da Bíblia, aí colocou em cena a luta final de Deus com as forças do mal. Chamou a esse sítio Armagedon, har megiddōn em hebraico, o "monte de Megiddo" (Ap. 16: 16).