quinta-feira, 9 de junho de 2011

Narrativa egípcia

 

 
Paleta de Narmer, c. 3150 a.C.
Museu Egípcio do Cairo

O objecto conhecido por “paleta de Narmer”, dedicada ao templo do deus Hórus pelo rei Narmer, que reinou c. 3150 a.C., continua a suscitar significativas dificuldades de interpretação. A peça tem uma qualidade estética notável para uma obra de arte produzida há mais de cinco mil anos.

A faixa superior do verso representa o rei Narmer em procissão, saindo do palácio singelamente representado por um rectângulo; diante da procissão estão dez corpos decepados, cada um deles com a cabeça entre as respectivas pernas; na leitura de alguns, as cabeças estão encimadas pelos pénis dos cadáveres, excepto uma delas; uma barca acima dos cadáveres parece esperar por alguém; a parte inferior do verso contém um touro, possível símbolo da força propagandeada de Narmer.

Na parte da frente da paleta, está representado Narmer com uma maça na mão, agarrando um homem de tipo não egípcio pelo cabelo; abaixo de Narmer, jazem dois homens, um deles circuncidado e outro nem por isso; acima do homem ajoelhado perante Narmer está um falcão, símbolo de Hórus, segurando uma corda atada ao nariz da cabeça de um homem; a cabeça, projecta-se de um campo de plantas de papiro, em possível representação de uma vitória de Narmer propiciada pelo deus Hórus. As conotações políticas da peça são inescapáveis. Já descobrir o significado de alguns detalhes ou perceber a ordem narrativa das secções não é assim tão fácil.

Cf. TEETER, Emily, Before the Pyramids, Chicago: Oriental Institute, 2011.
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1 comentário:

  1. Sobre a paleta de Narmer: ARAÚJO, Luís Manuel, "Arte" in Dicionário do Antigo Egipto, Lisboa: Ed. Caminho, 2001, pp. 99 e segs.

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