quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vontades marinheiras de aproar

Cena de amor num modelo de cama em terracota
Período Babilónio Antigo

“Homem do meu coração, meu amado, o teu encanto é doce, doce como mel. Jovem do meu coração, meu amado, teu encanto é doce, doce como mel.
Tomaste-me, irei de minha livre vontade até ti. Homem, deixa-me fugir contigo – para o quarto. Tomaste-me, irei de minha livre vontade até ti. Jovem, deixa-me fugir contigo – para o quarto.
Homem, deixa-me fazer-te as mais doces coisas. Meu docinho precioso, deixa-me trazer-te mel. Com mel gotejando no quarto gozemos uma e outra vez teu encanto, o doce. Jovem, deixa-me fazer-te as mais doces coisas. Meu docinho precioso, deixa-me trazer-te mel.
Homem, tu foste atraído por mim. Fala à minha mãe e eu entregar-me-ei a ti; fala a meu pai e ele fará de mim um dote. Eu sei onde dar prazer ao teu corpo – dorme, homem, em tua casa até de manhã. Eu sei como trazer deleites a teu coração – dorme, jovem, em tua casa até de manhã.
Já que te apaixonastes por mim, jovem, se me pudesses fazer tuas doçuras…
Meu senhor e deus, meu senhor e anjo da guarda, meu Shu-Suen que alegra o coração de Enlil, se pudesses apenas manejar o doce sítio, se pudesse agarrar o teu sítio que é doce como mel.
Põe tua mão ali, por mim, como cobertura de uma medida. Alarga tua mão ali, por mim, como cobertura de uma taça de madeira.
Balbale de Inana.”

Canção de amor como se fosse cantada por Inana, a deusa suméria do amor. Boa parte das canções de amor sumérias foram compostas por homens, mas escritas em voz feminina. O desejo de Inana dirige-se aqui a Shu-Suen, rei da III Dinastia de Urim.

Cf. BLACK, Jeremy, et al., The Literature of Ancient Sumer, Oxford: University Press, 2004.
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